Pó de asas

De quem é a cara daquela no espelho? De tudo nem sei o que sobrou de ontem. Narciso já acha defeito em face rosada. E o meu meio nem mais é metade de nada.
Casas no entorno, fogueiras acesas, frio de estremecer. E dentro é tudo desordenado. Segue compasso descompassado. E se nessa divergência não me achar. Entendo. Cadência nenhuma é possível nesse revolto mar.
Sento e encosto-me na grade fria, que tardia sustenta as costas cansadas de tanto esperar. Sento e recosto-me. As costas cansadas. E mais nada.
Permito- me achar que a fuga em massa das borboletas azuis de dentro de meu peito se deve a alguma trama arquitetada, na calada, pra me enlouquecer. De borboletas azuis já não vivo. Do que vou viver?
Dessa trama de fiar e desfiar, rogo apenas alento. Esgarçada a alma, já não há norte. Nem choro há.
No recanto de meu peito, sujeito a toda sorte de encanto, apenas crisálidas vazias, pó de asas, vento frio e tardes de ensurdecer.

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